Meu motivo!

“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como”, frase do famoso filósofo Nietzsche.

Essa frase diz respeito aos motivos. Uma pessoa motivada, você há de concordar comigo, é uma pessoa cheia de vida, entusiasmada. Já uma pessoa desmotivada é triste. O paralelo entre ânimo e desânimo é inevitável. Uma pessoa motivada é uma pessoa animada; uma pessoa desmotivada é uma pessoa desanimada. Só para esclarecer a relação aqui, a palavra ânima, do latim, significa alma, que é o equivalente de vida. Ou seja, uma pessoa com vida; uma pessoa sem vida.

Os motivos que inserimos em nossas vidas são determinantes para nossa peregrinação. A motivação como um motivo, um alvo, um objetivo, um porquê, se faz fundamental para uma vida cheia de vida. E quanto maior a motivação você tiver, maior será a sua resposta à vida.

Você já listou seus motivos? Seus porquês da vida? Aquilo que faço, por que faço? Aquilo que penso, por que penso? Aquilo que sinto, por que sinto? Aquilo que vivo, por que vivo? Quem sou, por que sou?

Liste seus motivos e motive-se a conquistar a plenitude de sua vida.

Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade consiste na plenitude da alma, em todos os seus âmbitos. Você pode ter algum significado diferente para felicidade. Não importa o significado que você dê para a felicidade, o que importa é se seus motivos são válidos para você e dados por você (não por alguém de fora).

Na correria do dia a dia, nos perdemos em tantas coisas, que chegando à noite, só pensamos em dormir. Fazemos, fazemos, fazemos… São tantas coisas com o verbo fazer! Todavia, se não há um motivo por detrás de cada atitude que tomamos, um motivo realmente excelente, facilmente tornamo-nos robôs. Por exemplo, trabalhar em uma função qualquer, de um empresa qualquer, desempenhando atividade qualquer, somente pelo benefício do salário, faz você se sentir frustrado 29 dias no mês, estando feliz (e olhe lá) somente no dia do pagamento. Está certo isso? Qual a coerência de vida nesse fato? Poderia citar vários outros exemplo, mas acredito que seja o suficiente para pegar o fio condutor do que estou dizendo.

Qual seu maior motivo de vida? Já pensou sobre isso?

Motivo + Ação = Motivação!

Conhece-te a ti mesmo!

Cada vez mais se ouve as pessoas falarem em diário para registrarem seus dias, seus sentimentos, suas emoções. No campo da psicologia, muitos profissionais recorrem à escrita terapêutica, afirmando que é possível transformar a escrita numa ferramenta de superação da dor ou de um sentimento negativo. No campo da literatura, a escrita é fundamental, e quanto mais enriquecida de detalhes, mais rica será. Fato que a escrita exige imaginação, memória e raciocínio (três ferramentas básicas do nosso intelecto).

Realmente, escrever pode ser libertador, pode ser motivador, pode ser engenhoso, pode ser algo fantástico. A escrita registra o fato, mas pode registrar os sentimentos e as emoções. A escrita tem se popularizado, seja num diário, num post, num blog, em livretos, livros, etc. Porém, há um lado triste da popularização da escrita, uma vez em que é possível detectar casos em que as pessoas que a utilizam somente para serem lidos, como uma forma de espetáculo – utilizam a escrita como propaganda (no caso do meu blog, de certa forma, seria uma propaganda). Adotar a escrita como uma ferramenta de propaganda é não usufruir de todo o seu potencial (cf. Cortella, 2018, p. 119-123).

Vejamos o caso de um diário. Escrever fatos e acontecimentos, simplesmente por escrever, ou na expectativa de que alguém leia, é diminuir o poder da escrita e de seu próprio diário como benefício próprio. O mais importante da escrita de um diário não é o fato em si, mas os sentimentos e emoções por detrás de cada fato – agindo assim, o diário se torna uma ferramenta de autoconhecimento. Duvidar das certezas, levantar questionamentos sobre as atitudes, organizar experiências, identificar as emoções e sentimentos são técnicas para a escrita de um diário que leve ao autoconhecimento.

Você há de convir que ao escrevermos, revelamos algo de nós mesmos no texto. Nossas palavras podem durar mais do que uma simples caminhada, por exemplo. O texto permanece e nos representa. Apesar do tempo que se passa, nossa identidade, nossa personalidade permanece naquilo que foi escrito. Pode ser uma personalidade daquele determinado momento da vida, mas permanece.

Heráclito, filósofo grego, afirmava que tudo flui. Levando essa sentença em consideração fácil perceber que ele não estava errado. Tudo muda! Inclusive nós.

Olhar para uma foto nos faz lembrar daquele determinado momento; ler um texto nos faz imaginar e vivenciar aquilo. E percebemos que já não somos mais os mesmos. Nostalgia e/ou saudades vêm à tona com um turbilhão de sentimentos. Fazer uma retrospectiva da vida é algo essencial para nosso autoconhecimento. Quem éramos? Quem somos? Como flutuaram nossos pensamentos e sentimentos ao longo de nossa via?

Dizem que você é aquilo que você faz (Michel Franklly). Será? Por que você faz aquilo que você faz? Prefiro pensar que somos aquilo que pensamos, sentimos e fazemos (Emanuel Becker).

Por isso, convido você a escrever o seu dia, de forma a descrever a melhor forma possível de como você esteve, e não o que fez. Faça isso por uma semana e verá que seu nível de autoconhecimento dará um upgrade incrível.