Aquele abraço!

“É preciso sair da ilha para ver a ilha”

frase icônica de José Saramago.

Para apreciar uma paisagem, seja ela qual for, é preciso estar fora dela, do contrário, você sempre irá apreciar o seu redor. Estando numa praia paradisíaca, você aproveita o momento curtindo, mas pouco é capaz de contemplar a beleza daquele lugar estando ali, será necessário afastar pela costa para apreciar aquele paraíso. Concorda?

Você já reparou que você não consegue se ver se não for por meio de um reflexo? Seja, num espelho, uma imagem refletida na água, no vidro, uma fotografia, etc… Para se ver, você precisa de um reflexo. Caso contrário, ficará fadado a contemplar seu umbigo e a ponta do nariz (risos).

Obviamente, há um processo por trás disso que estou falando. Olhar a si mesmo por meio de uma imagem é o mesmo que sair de si. Credo! Sair de si mesmo para se ver como tal.

Deixe sua imaginação fluir no que estou dizendo: é como se a sua consciência, por um momento, saísse do seu corpo. Ali, então, você conseguiria captar a imagem de si como você realmente é, você conseguiria contemplar a si mesmo, por conta que a sua imagem está fora de você mesmo – foi projetada para fora.

Claro que não estou falando de qualquer tipo de espiritismo ou realismo surreal, ou qualquer tipo de fantasia. Só um modo de exemplificar o processo.

Assim, para se ver, de alguma forma a imagem de quem você é deve ser projetada para fora de você mesmo. Assim, você consegue ver seu corpo. Mas também pode projetar seus pensamentos, seus sentimentos, suas atitudes, a ponto de se ver em outras pessoas, pelo menos aquele ‘algo’ específico. Está entendendo?

Agora vamos supor que numa relação entre pessoas (e espero que você se socialize), ambos tenham a grande dificuldade de se projetar para fora de si. Nesse caso, estariam fadados ao fracasso nessa relação (seja uma relação amorosa, pessoal, profissional, fraterna, e assim por diante). Não haveria modo de se entenderem, pois ambos só conseguem enxergar a partir de seu ponto de vista – precisam desenvolver a habilidade de sair de si mesmo e olhar como alguém de fora – como disse acima, só conseguem olhar para seu próprio umbigo.

Pois bem, quem sou, como estou, o que faço, como faço, o que penso, como penso, o que sinto, como sinto… (ufa) requer uma autoanálise de sair de si mesmo e se enxergar com os olhos de quem vê de fora. Nesse caso, o outro me vê, me percebe, me sente de uma forma diferente da minha. Será que a forma que ele sente é a forma que eu sinto? Mas por que será que ele sente dessa forma? Por que será que ele percebe dessa forma?

O outro pode ser o outro, como também pode ser eu. A partir do momento que eu saio de mim para entender o mundo como a outra pessoa entende, para sentir como a outra pessoa sente me torno o outro, visto o papel do outro em minha vida. Posso ser o outro para mim mesmo, como posso ser o outro para o outro. Enxergar o outro do ponto de vista do outro e confrontar com o meu. Eita exercício hercúleo esse.

O nome dado a esse processo de sair de si, se soltar do seu ponto de vista e ver a partir do ponto de vista do outro é a chave para a EMPATIA.

Diga-se de passagem, como há escassez de empatia hoje em dia… sobra antipatia! Parece faltar empatia para com o outro e para consigo mesmo. Infelizmente.

Pessoas fechadas em seu mundo, em seu ponto de vista, em seu modo de ser, de pensar, de agir… Tão presas em si, que são incapazes para ‘o novo’ em suas vidas. Estão acostumadas a prisão em que se colocaram que perderam a expectativa do ‘e se?’. Perderam de vista as possibilidades, tudo porque se fecharam em seus pontos de vista e excluíram a possibilidade do outro, inclusive a possibilidade delas mesmas se verem como o outro.

Pense em como a sua vida daria um verdadeiro ‘up’ com a vivência da empatia. Pensou?