Um cenário doentio da sociedade

Segundo Bauman (1998), há três pilares notórios da modernidade, a saber: a beleza, a pureza e a ordem. De forma sucinta, a beleza diz respeito à harmonia e perfeição da forma; a pureza no que diz respeito ao tocante da civilização e toda forma contrária desta deve ser banida; a ordem como repetição de um regulamento estabelecido de forma internalizada. Neste contexto é que está inserida a figura de Freud, o contexto da modernidade, de uma sociedade positivista. Mas também é nesse contexto que Bauman faz a leitura freudiana de ‘o mal-estar na civilização’.

Como é feita a negociação na sociedade entre as pessoas com os conceitos de segurança, liberdade, felicidade? Segundo Freud ‘a civilização se constrói sobre uma renúncia ao instinto. Ela (a civilização) impõe grandes sacrifícios à sexualidade e agressividade do homem. O anseio de liberdade, portanto, é dirigido contra formas e exigências particulares da civilização ou contra a civilização como um todo […] Os prazeres da vida civilizada vêm num pacote fechado com os sofrimentos, a satisfação com o mal-estar, a submissão com a rebelião’ (1930).

Há de se destacar os princípios do prazer e da realidade como determinantes dentro do contexto em que se pretende explicitar. Uma vez que a civilização trata de uma ordem imposta a uma humanidade naturalmente desordenada, há a redução do princípio do prazer pelo da realidade. Todo ser humano vive o conflito, desde seu nascimento, entre o princípio do prazer (o desejo) e o princípio da realidade (imposição social). Ao nascer, a criança é dominada pelo princípio do prazer, o qual rege a instância do Id. O Id, querendo satisfazer seus desejos mais primitivos, assim o faz. Conforme essa criança vai crescendo e amadurecendo, passando pelas fases de desenvolvimento sexuais psíquicos, o Ego – regido pelo princípio da realidade – tenta satisfazer os desejos e impulsos do Id, mas adequando-os à vida social. Essa adequação, de certa forma, acontece à medida que os valores, crenças e juízos do superego vão cristalizando-se.

Ora, a imagem a ser desenhado no quadro aqui exposto consiste de um lado a civilização que impõe (como o superego) seus limites, valores, crenças e ordens; do outro lado, o sujeito que quer imperar pela sua liberdade de escolha (à vista do Id que quer satisfazer seus impulsos). Se de um lado há a sociedade que impõe, por outro lado o Id que também quer se impor, no meio dessa encruzilhada encontra-se o coitado Ego querendo agradar ‘gregos e troianos’ – há uma tentativa de encontrar a melhor forma possível de atender aos desejos do Id adequando-os à realidade. Seria o acordo entre as partes iluministas e positivistas, entre Id e Superego, entre sociedade e individualidade.

Ocorre que hoje os dados da OMS relativos aos transtornos mentais apontam que em 2020 a depressão nervosa passará ser a segunda maior causa de mortes por doença no mundo, após somente de doenças cardíacas. Estima-se que o risco de desenvolver depressão, ao longo da vida, seja de 10% para os homens e de 20% para as mulheres. As causas podem ser de origem orgânica ou psíquica. Para a psicanálise, interessa os casos onde as causas são psíquicas (mesmo sendo causas de origem orgânica, recomenda-se o acompanhando de análise). O quadro apontado pela OMS é preocupante, porém, a depressão é apenas um de tantos outros distúrbios psíquicos. Segundo informativo do OPAS, existem diversos transtornos mentais, com apresentações diferentes. Eles geralmente são caracterizados por uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamento anormais, que também podem afetar as relações com outras pessoas. Entre os transtornos mentais, estão a depressão, o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e outras psicoses, demência, deficiência intelectual e transtornos de desenvolvimento, incluindo o autismo. O quadro exposto se trata de consequência daquilo que Freud já identificara – o conflito entre os princípios do prazer e realidade.

Para Freud, se tratando de distúrbios psíquicos, há uma causa a ser identificada. A origem pode ser tanto um desejo sexual infantil reprimido ou recalcado ou um trauma com forte carga emocional gerando uma hipercatexia. No conflito psíquico interno, ora sobressai o Id, ora o Superego, ora o Ego. As neuroses, por exemplo, são manifestações de desejos reprimidos pelo inconsciente, de modo imperfeito, que se manifestam de alguma forma, uma vez que o Ego é incapaz de lidar com esses desejos reprimidos sem sofrer – daí então a máscara da manifestação dos desejos como sintomas neuróticos. Sendo assim, para cada sintoma diferente, um tipo de neurose diferente. Os mecanismos de defesa se tratam de formas brandas de resistir e contornar os conflitos internos e dificuldades de lidar com alguns aspectos da realidade externa. Na neurose, a ponte com realidade é mantida, graças a esses mecanismos de defesa; já no quadro psicótico, por exemplo, a pessoa constrói, por assim dizer, uma realidade paralela, uma vez que seu conflito não se restringe ao mundo interno, mas sim à realidade externa.

O parêntese aberto ao citar brevemente o entendimento de Freud, serve para expor um segundo conceito do sociólogo Bauman, o da modernidade líquida. Os tempos líquidos em que a sociedade vive atualmente contrasta abruptamente com a realidade do séc. XX, citado no início do texto: da beleza, da pureza e da ordem. A sociedade hoje, sofre as consequências das sociedades anteriores, no entanto, continua a criar seus próprios doentes. Conforme citado, a depressão, por exemplo, será a segunda maior causa de morte. Os laços frágeis que são criados nas relações, os vínculos demasiadamente superficiais, a sociedade do ‘fast’, vive o conflito interno, assim como os homens e mulheres das sociedades anteriores. De certa forma, na era atual a gama de opções a escolher é vasta, porém, ao escolher um abre-se mão do outro; esse cenário, dentro de uma sociedade que vive a liquidez, não é satisfatório, gerando, assim, diversas ordens de conflitos internos – ou melhor, provocando os distúrbios mentais.

A ideia de um conflito entre o princípio da realidade e o princípio do prazer é tão atual e há muito ainda a ser compreendido sobre a esfera do conflito interno frente à realidade vivenciada por cada indivíduo.

Meu motivo!

“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como”, frase do famoso filósofo Nietzsche.

Essa frase diz respeito aos motivos. Uma pessoa motivada, você há de concordar comigo, é uma pessoa cheia de vida, entusiasmada. Já uma pessoa desmotivada é triste. O paralelo entre ânimo e desânimo é inevitável. Uma pessoa motivada é uma pessoa animada; uma pessoa desmotivada é uma pessoa desanimada. Só para esclarecer a relação aqui, a palavra ânima, do latim, significa alma, que é o equivalente de vida. Ou seja, uma pessoa com vida; uma pessoa sem vida.

Os motivos que inserimos em nossas vidas são determinantes para nossa peregrinação. A motivação como um motivo, um alvo, um objetivo, um porquê, se faz fundamental para uma vida cheia de vida. E quanto maior a motivação você tiver, maior será a sua resposta à vida.

Você já listou seus motivos? Seus porquês da vida? Aquilo que faço, por que faço? Aquilo que penso, por que penso? Aquilo que sinto, por que sinto? Aquilo que vivo, por que vivo? Quem sou, por que sou?

Liste seus motivos e motive-se a conquistar a plenitude de sua vida.

Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade consiste na plenitude da alma, em todos os seus âmbitos. Você pode ter algum significado diferente para felicidade. Não importa o significado que você dê para a felicidade, o que importa é se seus motivos são válidos para você e dados por você (não por alguém de fora).

Na correria do dia a dia, nos perdemos em tantas coisas, que chegando à noite, só pensamos em dormir. Fazemos, fazemos, fazemos… São tantas coisas com o verbo fazer! Todavia, se não há um motivo por detrás de cada atitude que tomamos, um motivo realmente excelente, facilmente tornamo-nos robôs. Por exemplo, trabalhar em uma função qualquer, de um empresa qualquer, desempenhando atividade qualquer, somente pelo benefício do salário, faz você se sentir frustrado 29 dias no mês, estando feliz (e olhe lá) somente no dia do pagamento. Está certo isso? Qual a coerência de vida nesse fato? Poderia citar vários outros exemplo, mas acredito que seja o suficiente para pegar o fio condutor do que estou dizendo.

Qual seu maior motivo de vida? Já pensou sobre isso?

Motivo + Ação = Motivação!

Livres de espírito!

Sartre, filósofo francês, dizia que o homem está condenando à liberdade, ou seja, não há outro motivo de viver para o homem que não seja na liberdade.

Mas afinal de contas, o que é liberdade?

Falamos tanto em liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, liberdade de pensamento, liberdade de viver, liberdade de fazer, liberdade de consumir, etc…

Qual seria o significado de liberdade pra você? O que seria ‘ser livre’?

Já encontrei muitas pessoas em minha vida que aparentavam ser livres, mas estavam acorrentados por dentro, com uma amargura, um ódio, um rancor, uma mágoa, inveja, angústia, decepções, desilusões. Livres por fora, presas por dentro. Nesse sentido, de que adiantaria uma liberdade de ir, de falar, de fazer ou qualquer outra, se a liberdade de ser você mesmo não for vivenciada?

Acredito que não exista liberdade maior senão aquela que te possibilita ser você mesmo. Veja que não importa a situação, não importa com quem, não importa onde nem quando, ser quem você, de fato é, não tem preço.

Ouvi uma frase que dizia o seguinte: todo o dinheiro do mundo não é capaz de comprar um segundo de tempo, nem o que se passou nem o que virá. Queremos tanto ser livres, temos o sonho da liberdade – e somos presos ao tempo!

Agora pare e pense um pouquinho em quantas vezes você, com seus pensamentos, foi longe a ponto de se desligar do aqui e agora. Nossa… faço isso direto. Naqueles momentos, é como se nos desconectarmos do quando e do onde, é como se não houvesse barreiras para o tempo e espaço – nos sentimos totalmente livres com relação a isso – ganhamos nossa liberdade de espírito de ir para o onde e quando, não importando as distâncias nem de tempo e nem de espaço.

Essa sim, considero a verdadeira liberdade: a de espírito. É essa liberdade de espírito que nos revela e nos mostra quem realmente somos. E aquele que tem a ousadia, a coragem, a audácia de viver esse ser a si mesmo, livre no seu espírito, esse merece meu respeito, pois não é aquilo que está fora que ferirá a sua liberdade interior – poderá passar por várias coisas, mas sua liberdade interior estará intacta.

Não são as limitações do mundo exterior que a atingem, mas aquelas postas por ela mesma em seu mundo interior.

Não se prenda. Liberte-se!

Sobre expectativas e frustrações!

Você já se frustrou? Se decepcionou? Certamente.

E o pior é que as frustrações e as decepções parecem que vêm de quem mais amamos, não é mesmo?

Pra ser sincero, toda decepção é antecedida por uma expectativa. Quanto maior a expectativa, se não for alcançada, maior será a frustração ou decepção.

Dessa forma, uma decepção está diretamente relacionada com a expectativa criada.

Os estoicos tinham um grande segredo para lidar com a decepção. Como sou um cara legal, vou dizer pra vocês esse grande segredo: simplesmente,

Não ter expectativas.

Olha, soa meio estranho para nós, num mundo no qual vivemos e em nossa realidade, não ter expectativas. Esses caras eram bons no que faziam… Eles conseguiam viver uma vida sem nutrir expectativas e, consequentemente, as chances de qualquer decepção ou frustração eram mínimas. Eles se preocupavam com aquilo que estavam sob o controle deles, aquilo que não estava sob o poder deles de fazerem algo, não se importavam ou minimizavam.

Esperar um pedido de casamento, em um jantar romântico, e não acontecer, gera uma frustração daquele que esperava, mas não naquele que nem passava pela cabeça dele em o fazer.

Uma promoção no emprego que você luta para conseguir, mas não consegue, gera frustração desânimo, raiva, etc…

Uma resposta de uma entrevista de emprego, de um pedido de namoro, o recebimento de uma encomenda, enfim…

Mas se ao invés de gastar tanta energia com possibilidades que podem acontecer ou não, você se esforçar em viver o seu melhor naquilo que você pode assim fazer, sem nutrir expectativas de retorno, retribuição ou recompensa?

Nossos amigos estoicos viviam isso com maestria. E querendo ou não, davam uma solução para suas vidas não atingirem o patamar da frustração: não nutrir expectativas.

O que você acha?

Ah, o amor…

O amor…. Ah, o amor! Coisa mais linda não há.

Quanto já se falou sobre o amor na literatura? Quanto já se retratou o amor em pinturas, desenhos e fotografia? Poesias e filosofias? Quanto ele já foi encenado?

Pois é, foram inúmeras as vezes que não seria inviável contabilizar. Isso porque o amor, de fato, faz parte da vida humana.

Talvez você hoje esteja vivendo um grande amor; talvez esteja desiludido com ele por conta de uma decepção; talvez o amor, hoje, não seja algo relevante em sua vida. Enfim…

Já ouvi pessoas dizendo que o amor é decisão, que o amor é racional, ou coisa assim. Discordo!

Pra mim, o amor se trata de um sentimento, o mais forte deles, que impulsiona toda a nossa vida.

Somos espectadores diante desse grande artista apresentando seu espetáculo.

O amor não avisa quando chega nem quando vai. Não o controlamos, não o adestramos, não o ensinamos, não o racionalizamos. Quando vemos, simplesmente estamos amando… e quando vemos, de novo, não estamos mais amando.

O amor se expressa em atos, mas não são os atos; o amor emana de uma força interior, mas não se contenta em si; o amor não se acostuma com a monotonia, mas não exclui a longevidade; o amor não se impõe, mas quer exclusividade; o amor não é egoísta, mas demonstra uma carência incrível – quer cuidado, carinho, respeito, atenção, e acima de tudo, reciprocidade; se doa ao mesmo tempo em que recebe.

O amor é incrível! Fantástico como o amor supera todas as barreiras das distâncias geográficas e do tempo. Já pensou sobre isso?

Nunca vi ninguém chorar, lamentar ou sofrer por amor. Mas vi muitas pessoas sofrerem pela falta dele. Infelizmente, acaba sendo culpado pelo que não faz, julgado, esquecido, maltratado e preterido. Muitas vezes é confundido, escondido e sufocado.

Podemos notar o amor entre um casal, entre pais e seus filhos, nas atividades que realizamos, nos objetos que possuímos, nos pet’s que cuidamos, etc… O amor está presente em toda a nossa vida.

Sem essa de amor verdadeiro, pois não existe amor verdadeiro. Existe amor! Se existisse amor verdadeiro podemos dizer que há amor falso. E se é amor falso, ora, já não é amor. O que existe, exclusivamente, é o amor em suas diversas e mais belas esferas de vivência.

O amor é essencial para a vida das pessoas.

Viva o amor!!!

Imagine uma vida sem amor? Consegue?

Amor fati

Olá.

Você já ouviu falar de ‘amor fati’?

Essa expressão traduzida do latim, ‘amor ao destino’, foi cunhada pelo filósofo alemão Nietzsche (1844-1900).

Amor fati, como a expressão significa, é uma forma de vida que, segundo o filósofo, é essencial para uma vida em equilíbrio e harmonia.

Você já chorou por algo que te chocou ou machucou absurdamente? Já se arrependeu de algo que falou ou fez? Já veio aquele pensamento que se fosse possível voltar no tempo, talvez as coisas hoje estariam diferentes? Já ficou se remoendo por pensamentos e sentimentos que tiravam seu sono, sua calma, te distraíam em demasiado?

Ora, quem nunca? Felizmente, para o nosso filósofo, o amor fati é a solução para tudo isso. Quase um comercial do mais novo lançamento das ‘organizações Tabajara’ (risos).

Amar o destino seria o equivalente a amar os fatos. Amar não quer dizer que você tenha que gostar ou fazer aquela cara de besta num velório de alguém querido que acabou de falecer, por exemplo. Amar é aceitar. Vem bem a calhar aquela expressão: ‘aceita que dói menos’.

Se você aceita os fatos da vida, aquilo que te sucede como algo natural que está inserido dentro de uma enorme cadeia de eventos que não são possíveis de serem controlados, se você aceita aquilo que te aconteceu, sabendo que não pode mais ser mudado, como algo que aconteceu e pronto, os motivos de tanta culpa, remorso, arrependimento, os motivos de tanta coisa que tiram a paz de espírito não fazem mais sentido.

Pensamentos acelerados, estresse agudo, cansaço demasiado, dor no peito, angústia? Que nada. Aceite a vida como ela é, como ela decorre. Aceite-se a si mesmo como você é. Se ame como você é. Ame os acontecimentos da vida e siga em frente. Não vale a pena gastar tanta energia com aquilo que passou ou não foi de encontro com a sua expectativa. Apenas viva. Fazendo isso, certamente, será mais leve e sua qualidade de vida dará um ‘up’ absurdo.

Falta de dinheiro, falta de emprego, falta de alguém, falta de algo… falta de nada! Com certeza muitos problemas, muitas coisas, muitos ‘demônios’ te assombram. Quanto mais poder você der a eles, mais eles te dominarão. Tire o poder, tire a atenção, tire o foco. Dance a música. Não dê atenção ao que te tira a paz e foque em você daqui pra frente. Ficar se remoendo ou lamentando não vai mudar nada!

Olhe pra frente e siga. Continue! Persista! Avante!

Não que eu concorde com isso, mas cá pra nós: se você deixar de olhar pra trás e aceitar os acontecimentos da sua vida, e passar a olhar pra frente, de fato, sua vida dará um salto adiante!

Talvez já tenha passado da hora de focar o ‘e se’, e focar o ‘vida que segue’.

O que acha disso?

Vale a pena?

Oi.

Você tem um sonho? Claro que tem. Que pergunta mais tola…

Mas me refiro a um sonho que trará certa realização pessoal?

Existem muitos tipos de realização: a pessoal, a profissional, a financeira, a familiar, etc…

Me refiro a uma realização pessoal! Aquele tipo de realização que fará de você uma pessoa melhor, enquanto pessoa mesmo! Sabe aquele sonho que te trará um contentamento de alma? É disso que estou falando.

Um momento de realização é um momento de liberdade, superação e êxtase.

Muitas pessoas focam tantos sonhos que se resumem ao que está longe ou fora delas. O fato é que nenhum tipo de realização será satisfatória se aquela realização não atingir o seu mais íntimo – ou seja, se a realização, seja ela qual for, não girar em torno de sua realização pessoal, mais cedo ou mais tarde, ruirá.

O inglês tem um termo que demonstra muito bem o que estou dizendo: to realize (perceber). A realização, ou seja, tornar o sonho real por meio de uma ação, só será possível mediante um pertencimento. Me refiro a um pertencimento de si mesmo, em outras palavras, empoderamento.

Perceber a si mesmo dentro de um contexto, de um mundo, de um modo de vida que satisfaça ou não.

E se há algo que não satisfaz, é porque falta algo. Mas para tanto, é preciso perceber esse algo. Dessa forma, falar de realização pessoal é então ‘perceber-se’, realizar-se enquanto pessoa, enquanto indivíduo, enquanto ser humano, enquanto alguém.

Infelizmente, acontece de, inúmeras vezes, sermos mais tratados como algo do que como alguém; valemos pelo que fazemos, pelo que temos, mas não por quem somos. Somos um número em uma lista.

Triste realidade! (carinha de desapontamento)

Perceba-se enquanto alguém importante, alguém de valor e não perca mais tempo em tornar realidade, por meio de uma ação significativa, os seus sonhos.

Realize-se! Perceba-se! Faça acontecer! Faça valer a pena.

Afinal de contas, a vida é tão curta para ser vivida de qualquer jeito, não é mesmo?

Como o velho Sócrates seguia: “Conhece-te a ti mesmo”.

Não desperdice sua vida!

De repente nos vemos mais velhos, mais maduros… Nos tornamos adultos. Somos tomados pelo senso de responsabilidade e conformismo. Aos poucos vamos nos acostumando a viver uma rotina e, quando vemos, estamos acomodados nela.

Os anos continuam passando, o tempo vai nos engolindo… Então, chegamos num certo ponto da vida e nos questionamos: “o que eu fiz da minha vida?” Claro que fizemos muitas coisas, mas em todas as coisas que fizemos qual foi nosso grau de satisfação, de prazer, de identificação?

Se, num breve olhar, nos identificamos com aquilo que fazemos, a chance de haver uma identidade própria, de identificação com quem se é, é muito grande.  O que você tem feito, você pode dizer que é uma extensão de quem você é? Ou será que a obrigação lhe toma? Ou a necessidade se faz de protagonista em você?

São inúmeras as pessoas que se veem infelizes e insatisfeitas com suas vidas; acabam tomando por modelo ou padrão a vida de pessoas com grande poder aquisitivo e almejam por isso… lhes parece que enquanto não for ‘bem sucedida’ na vida, em termos de poder aquisitivo, não será feliz, pois, afinal de contas, a felicidade consiste em consumir.

Ledo engano…

Na minha opinião, a felicidade não consiste em consumir, mas em ser. Já dizia Sartre, filósofo francês do século passado, que ‘não importa o que fizeram de você, mas o que você faz com aquilo que fizeram de você’. Vivemos num mundo capitalista que cada vez mais se impõe, sugestionando que a felicidade está atrelada ao consumo. Ora, vivemos nesse mundo, mas será que devemos nos submeter a esse estilo de vida proposto? Viver uma vida de consumo não é sinônimo de viver uma vida feliz (é apenas uma vida de consumo); se assim fosse, os consultórios psiquiátricos não estariam lotados por pessoas com grande poder aquisitivo.

Vive-se uma vida de procura por aquilo que não tem, ao invés de valorizarem aquilo que já tem.

Falta amor próprio, falta identidade, falta sinceridade consigo mesmo. O sentido da vida deixou de ser a própria vida e passou a ser uma enormidade de ‘coisas’ fora da própria pessoa. Os momentos dão lugar às selfies; as pessoas cedem lugar aos smartphones; a equipe, aos funcionários; a família perdeu seu lugar; os amigos reais por seguidores virtuais; a expectativa por uma resposta pela pressa da visualização, etc.

O mundo pode ter melhorado graças à tecnologia; mas será que as pessoas melhoraram também?

A vida é uma dádiva que passa muito rápido. Ela é curta demais para vivermos de qualquer jeito… Rápida demais para vivermos com pressa.

E se hoje fosse seu último dia?

E se hoje fosse seu último dia… e todos aqueles que você conhece fossem privados da sua presença? Que lembranças teriam de você?

E se hoje fosse seu último dia… será que as coisas que fez se empenhou em fazer seu melhor ou foi medíocre?

E se hoje fosse seu último dia… será que a pessoa amanda teria ouvido um ‘eu te amo’, recebido aquele abraço apertado e teria a imagem de um sorriso refletido em seu olhar?

E se hoje fosse seu último dia… será que aquela pessoa que passou pelo seu caminho teria sido ajudado ou menosprezado por você?

E se hoje fosse seu último dia… teria sido mais um dia de correria que não teria percebido os pequenos detalhes que embelezam a vida?

E se hoje fosse seu último dia… que patrimônio espiritual deixaria para a humanidade?

Aliás, o patrimônio material se acaba com o tempo, mas o espiritual permanece naqueles em que foram plantadas as sementes de uma vida melhor.

E se hoje fosse seu último dia… seria notado pelo que você tem ou por quem você é?

E se hoje fosse seu último dia… faria as mesmas coisas de sempre do mesmo modo ou tentaria de um modo novo?

E se hoje fosse seu último dia… teria as lembranças daquela viagem dos sonhos que realizara outro dia?

E se hoje fosse seu último… gastaria tempo com seus queridos e valorizaria cada moment

E se hoje fosse seu último dia… estaria preocupado e estressado, descarggenado toda a raiva nas pessoas por conta dos prazos no trabalho?

E se hoje fosse seu último dia…

Curioso ver aqueles anúncios de promoção dizendo ser ‘o último dia’, ‘só até hoje’, e coisas assim… Mas quando se trata de promover a vida, a família, a humanidade, a felicidade, as pessoas se escusam.

Ao meu ver, porque há uma super valorização do material em detrimento do espiritual. E quando digo espiritual, não me refiro a nenhum tipo de religiosidade, mas ao que envolve o espírito humano (afetos, relacionamentos, sentimentos, pensamentos, espiritualidade, etc).

Eu não preciso estar numa igreja, por exemplo, para ser uma pessoa que faça a diferença (pra melhor, claro) na vida de outras pessoas. E tudo isso envolve um sentido que transcende essa realidade, um sentido que vai além do material, do físico. Um sentido que ultrapassa qualquer rótulo, contagem ou valor que possa ser dado àquilo que o homem produz. Sabe por quê? Esse além se trata do próprio homem.

Ao ver uma promoção (black friday, por exemplo), as pessoas correm para não perder os ‘preços baixos’ dos equipamentos que precisam. Precisam de tantos produtos, buscam tantos produtos, querem tantos produtos. Mas não percebem, que talvez (e só talvez) um gesto de amor e carinho é o que faria uma total diferença na vida delas.

Sabe aquelas promessas de fim de ano? Não as leve até o fim de sua vida.

A vida… Não é sobre o que você tem, mas sobre quem você é!

A cor mais bela é a transparência

Vivemos em um mundo de aparência.

Gerson, você não está generalizando? Sim! Acreditando que há, de fato, pessoas que sejam transparentes, mas essas, a meu ver, são aquelas que saem da curva.

Vivemos em um mundo de aparência, onde as pessoas vestem máscaras ou vivem papeis. Falta transparência, autenticidade, verdade. O mundo e as pessoas parecem mais viver uma ilusão ou fazem do mundo um conto de fantasias. Falta verdade nas pessoas. Falta assumirem seus erros, suas culpas, suas crenças, suas ideologias, seus ideais, etc.

Por que a opinião do outro parece ser tão importante?

Por que nos importamos tanto com as aparências?

Por que, de repente, as coisas ou status se tornaram mais importantes que pessoas?

Acontece que viver de aparência exige que vistamos máscaras, máscaras que ocultam nossa verdadeira face, nosso verdadeiro ‘eu’. Mundo de aparência, mundo de falsidades, mundo de incoerências e hipocrisia.

Posso estar tendo uma visão muito pessimista, mas ver uma pessoa íntegra, coerente, verdadeira, justa, honesta é algo que chama a nossa atenção, quando deveria ser o contrário – o que deveria chamar a nossa atenção seria o desonesto, o injusto, o falso, o traíra…

De certa forma, ser verdadeiro hoje requer coragem, uma coragem audaciosa que faz aquele que assim vive, ir contra a maré.

Estou cansado de viver num mundo de aparências. Vamos deixar as máscaras caírem. Temos coragem para isso? Coragem (agir com o coração) de sermos quem realmente somos? De viver segundo o nosso coração e não segundo a opinião dos outros? Temos coragem de assumirmos nosso verdadeiro eu frente a um mundo que quer ser ‘politicamente correto’?

Sabe aquela pessoa que você não gosta? Seja educado, mas não falso.

Sabe aquela pessoa que você ama? Seja honesto, carinhoso e fiel.

Sabe aquele emprego que não te traz realização? Procure outro.

Sabe aqueles sonhos que você sufocou e se perderam no nada? Corra atrás deles.

Sabe aquela viagem importante que você considera? Faça.

Sabe aquela desculpa de que não tem tempo ou vontade? Acredite em você e se programe.

Sabe aquela pessoa que te inspira? Use a inspiração, não a pessoa como modelo.

Seja você. Afinal, você só é você se você for você. Mas você tem sido você ou outro alguém? Tem-se permitido ser você ou deixado que os outros ditem a escrita da sua vida?

Seja a diferença. Faça a diferença. O mundo está repleto de iguais.