Conhece-te a ti mesmo!

Cada vez mais se ouve as pessoas falarem em diário para registrarem seus dias, seus sentimentos, suas emoções. No campo da psicologia, muitos profissionais recorrem à escrita terapêutica, afirmando que é possível transformar a escrita numa ferramenta de superação da dor ou de um sentimento negativo. No campo da literatura, a escrita é fundamental, e quanto mais enriquecida de detalhes, mais rica será. Fato que a escrita exige imaginação, memória e raciocínio (três ferramentas básicas do nosso intelecto).

Realmente, escrever pode ser libertador, pode ser motivador, pode ser engenhoso, pode ser algo fantástico. A escrita registra o fato, mas pode registrar os sentimentos e as emoções. A escrita tem se popularizado, seja num diário, num post, num blog, em livretos, livros, etc. Porém, há um lado triste da popularização da escrita, uma vez em que é possível detectar casos em que as pessoas que a utilizam somente para serem lidos, como uma forma de espetáculo – utilizam a escrita como propaganda (no caso do meu blog, de certa forma, seria uma propaganda). Adotar a escrita como uma ferramenta de propaganda é não usufruir de todo o seu potencial (cf. Cortella, 2018, p. 119-123).

Vejamos o caso de um diário. Escrever fatos e acontecimentos, simplesmente por escrever, ou na expectativa de que alguém leia, é diminuir o poder da escrita e de seu próprio diário como benefício próprio. O mais importante da escrita de um diário não é o fato em si, mas os sentimentos e emoções por detrás de cada fato – agindo assim, o diário se torna uma ferramenta de autoconhecimento. Duvidar das certezas, levantar questionamentos sobre as atitudes, organizar experiências, identificar as emoções e sentimentos são técnicas para a escrita de um diário que leve ao autoconhecimento.

Você há de convir que ao escrevermos, revelamos algo de nós mesmos no texto. Nossas palavras podem durar mais do que uma simples caminhada, por exemplo. O texto permanece e nos representa. Apesar do tempo que se passa, nossa identidade, nossa personalidade permanece naquilo que foi escrito. Pode ser uma personalidade daquele determinado momento da vida, mas permanece.

Heráclito, filósofo grego, afirmava que tudo flui. Levando essa sentença em consideração fácil perceber que ele não estava errado. Tudo muda! Inclusive nós.

Olhar para uma foto nos faz lembrar daquele determinado momento; ler um texto nos faz imaginar e vivenciar aquilo. E percebemos que já não somos mais os mesmos. Nostalgia e/ou saudades vêm à tona com um turbilhão de sentimentos. Fazer uma retrospectiva da vida é algo essencial para nosso autoconhecimento. Quem éramos? Quem somos? Como flutuaram nossos pensamentos e sentimentos ao longo de nossa via?

Dizem que você é aquilo que você faz (Michel Franklly). Será? Por que você faz aquilo que você faz? Prefiro pensar que somos aquilo que pensamos, sentimos e fazemos (Emanuel Becker).

Por isso, convido você a escrever o seu dia, de forma a descrever a melhor forma possível de como você esteve, e não o que fez. Faça isso por uma semana e verá que seu nível de autoconhecimento dará um upgrade incrível.

2 comentários em “Conhece-te a ti mesmo!

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