Medo do novo?

Estava refletindo esses dias o quão arrebatador pode ser o medo do novo. A novidade, o novo, aquilo que não se conhece é capaz de gerar medo, mas também expectativas… e grandes expectativas, por sinal.

O novo é um modo diferente do qual estamos acostumados. Nesse sentido, o novo é somente um modo de ser ou estar diferente daquele que estamos habituados. Diga-se de passagem, o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar. Mesmo assim, o novo assusta!

Heidegger (1889-1976) foi um filósofo alemão. Sua grande obra Ser e tempo (1927) pode nos ajudar nessa reflexão.

É óbvio que você não é uma caneca ou qualquer outra coisa. No caso dessa caneca, ela será sempre uma caneca e sequer tem consciência de ser uma caneca. Você, ao contrário, é um ser humano. Mas olhe para a grande maravilha disso: um ser humano (o único ser na natureza) que tem consciência de si. Você é um ser que existe e tem consciência de sua existência. Por isso mesmo, nós somos seres humanos que vivem de modos diversos uns dos outros. Além disso, em sua própria vida, devido à sua consciência de si, já foram inúmeras as mudanças ocorridas no seu corpo físico, no seu modo de pensar, nos seus gostos, amizades, etc.

Pare agora! Caramba… você já passou por inúmeras mudanças e continuará mudando. Mas o novo assusta.

Estou te dizendo o seguinte: você é uma pessoa que tem todas as possibilidades em si, ou seja, você é um ser que vive em constante ‘vir-a-ser’. Agora o que te resta, depois de todo o exposto, conforme o pensamento de nosso amigo Heidegger, é a vivência de uma linguagem autêntica. A linguagem é uma forma de comunicação, e essa comunicação é fundamental para expressar-se com o mundo à sua volta. Assim, o tipo de linguagem que você comunica vai determinando o seu ser. Se você comunica uma linguagem autêntica, ou seja, aquilo que você é, o mundo interpreta essa linguagem como uma comunicação autêntica. Por outro lado,

se você não comunica uma linguagem autêntica, ou seja, quem você é (de fato!), que tipo de linguagem você tem comunicado?

Como sua linguagem é imprecisa, o mundo te impõe a linguagem dele; assim, você deixa de comunicar sua própria linguagem abrindo mão de todas as suas possibilidades, para comunicar a linguagem do mundo. Em outras palavras, deixa de viver a sua própria vida para viver a vida que o mundo te impõe.

É isso mesmo que você quer para você?

Uma linguagem autêntica é aquela que você, sendo você mesmo, exerce uma vivência sem o medo daquilo que os outros irão pensar, sem viver uma vida de auto represália, uma pseudo liberdade, deixando de fazer suas próprias escolhas e tomadas de decisão por conta de uma força externa a você que como te impõe a agir de determinada forma.

Voltando ao assunto… o medo de fazer o novo, de ser o novo, de pensar novo (leia-se também diferente) assusta por conta de uma insegurança, que muitas vezes, por trás dela, está o comodismo de outros dirigirem a sua vida e no momento que você precisa, de fato, tomar uma decisão por sua conta em risco, há o receio.

Uma tomada de decisão por conta própria é essencial para o processo de maturação do ser humano, e faz-se necessária para a comunicação de uma linguagem autêntica.

É como estar à mesa de um restaurante e o acompanhante perguntar a sua preferência no cardápio. E aí? Qualquer coisa serve?

Não foi à toa a imagem destacada da borboleta! É necessário passar pelas metamorfoses da vida.

2 comentários em “Medo do novo?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s